Escola Inclusiva Centro de Educação da Vida Branca de Neve - Josefa Aparecida Neri Guido - Indaiatuba- SP- Brasil
História do início da Escola Inclusiva Centro de Educação da Vida Branca de Neve
A nossa dedicação ao movimento de iluminação da humanidade é a
maneira que encontramos para expressar nossa total gratidão a tudo que
temos recebido desde que conheci essa filosofia em março de 1988.
Acreditei nos ensinamentos desde o princípio e passei a colocar em
prática tudo que me era orientado através de palestras, seminários e dos livros
da Verdade.
Dentre tantos problemas que estavam ocorrendo em nossas vidas naquela época, meu filho mais velho que estava com 10 anos era um menino extremamente revoltado e agressivo. Eu percebia que toda sua agressão era comigo. Totalmente desobediente e irreverente e até aquela idade eu só conseguia seu respeito com gritos ou cintadas. Porém ele estava crescendo e começava a me enfrentar.
Foi aí que comecei a sentir o fracasso da educação que havia lhe dado até então. A situação se agravou quando meu filho começou a trazer coisas dos amigos para dentro de casa dizendo que havia ganhado. Eu ia verificar e descobria que ele havia pegado.
Desconhecendo a Pedagogia da Seicho-No-Ie, eu tentava corrigi-lo apontando as falhas. Quanto mais eu me desesperava mais ele me desobedecia.
Eu tentava chamar a atenção do meu marido para que colocasse rédeas em nosso filho, porém perto do pai ele demonstrava respeito e compreensão. Eu sempre parecia a dramática e vilã da história. Imaginava que meu filho seria um marginal se continuasse nessa situação.
Foi quando ouvi numa palestra da Associação Pomba Branca de Mogi Mirim o seguinte:
O filho rebelde ama seus pais e deseja receber o amor de seus pais.
Na verdade a rebeldia pode ser um sentimento de mágoa por alguma rejeição que esse filho possa ter sofrido. Os pais devem refletir se por ventura não rejeitaram esse filho ainda na gravidez.
Aquelas palavras soaram como um sino na minha cabeça. Recordei - me o quanto eu tentei abortar o meu filho. Tomei remédios, procurei médico, mas graças a Deus não houve possibilidade.
Naquele momento caí em prantos e comecei a soluçar e imaginar o que meu filho estaria sentindo pedi orientação para a preletora no final da reunião.
E fui orientada a pedir perdão, uma vez que meu arrependimento era sincero. Naquele mesmo dia tive a oportunidade de falar com meu filho que até então nem olhava em meus olhos.
Eu comecei contando porquê o rejeitei, porém após seu nascimento fiquei tão feliz que esqueci completamente que um dia eu tentei abortá-lo. E disse:
- Filho me perdoe eu não sabia que a sua vinda era a vontade de Deus, hoje eu entendi toda sua revolta e te peço perdão por ter te causado tanto sofrimento, eu te amo, você é muito importante para mim.
Vamos viver bem e cumprir nossa missão de mãe e filho.
Pela primeira vez vi meu filho olhar em meus olhos e uma lágrima
descer pelo seu rosto então ele me respondeu:
- Eu já sabia, mas eu te perdôo.
Ficamos abraçados e choramos muito. Já no dia seguinte percebi as
mudanças em meu filho.
Passei a fazer um diário de elogios para meus filhos e marido. Ao invés
de apontar as falhas comecei a falar e ver as qualidades de meus familiares.
Atualmente meu filho está com 31 anos, casado com uma pessoa
maravilhosa, ambos formados em enfermagem pela UNICAMP, e ele está se
preparando para o mestrado. É um jovem inteligente, meigo, dócil, responsável
e nunca mais foi grosseiro comigo.
Nosso lar se tornou um verdadeiro paraíso.
Minha gratidão por esse ensinamento era tanta que comentava para
todos sobre os excelentes resultados que havia conseguido com o pedido de
perdão e o diário de elogios para toda a família.
Em 1989 mudamos para Indaiatuba e passei a freqüentar a Associação
local. Era uma alegria poder ser útil, e fazia questão de ficar na escala da
limpeza para poder demonstrar minha gratidão por tanta felicidade.
No final de 1990 a proprietária da Escola de Educação Infantil Branca
de Neve Maria Gorete Angarten (in memórion), ouvindo meu relato e
observando minha dedicação ao Movimento, convidou - me para ajudá-la como
voluntária. Meu trabalho era ensinar artes para as crianças e aplicar a
pedagogia da Seicho-No-Ie.
Até então; nunca havia imaginado ser uma educadora. Aceitei o trabalho
com o desejo de aplicar a pedagogia da Seicho-No-Ie, principalmente com
crianças que apresentassem a mesma rebeldia que meu filho já havia
apresentado.
Lembro-me que praticávamos a meditação Shinsokan Específico - do
livro Verdade da Vida volume 8, onde mentalizávamos a escola repleta de
crianças e o grande sucesso desse trabalho.
Foi assim que surgiu a intuição de mudar o nome da escola para Centro
de Educação da Vida "Branca de Neve" e também o desejo de receber
crianças de comportamento difícil; dei a sugestão para a proprietária da escola
que resolveu colocar na placa a seguinte informação "aceitamos crianças
problemas".
Para nossa surpresa começaram surgir crianças com patologias
severas; confesso que fiquei confusa e recorremos à meditação Shinsokan
pedindo orientação de Deus e senti um desejo imenso de ter uma profissão
que pudesse auxiliar àquelas crianças que já haviam conquistado meu
coração.
Entretanto, tinha claro em minha mente que deveríamos estar
preparadas para receber todas as crianças e que deveria insistir para que a
criança considerada "normal" continuasse freqüentando nossa escola, uma vez
que existia muito preconceito por parte dos pais fazendo com que
perdêssemos muitos alunos.
Por mais que informássemos aos pais que a criança com necessidade
especial é Vida de Deus e que a criança considerada "normal" poderia ser
muito útil e, com certeza no futuro seria um excelente profissional, pois
estavam aprendendo a conviver e respeitar as diferenças, muitos pais davam
uma desculpa esfarrapada e tiravam seus filhos da escola. Este foi um grande
desafio, porém não desistimos, continuei visualizando a escola repleta de
crianças.
Nós já fazíamos intuitivamente a prática da Escola Inclusiva.
Prestei vestibular e passei no curso de Fonoaudiologia na PUCCAMP no
final de 1991. Durante o período de Faculdade não deixei em nenhum
momento de praticar a meditação Shinsokan e participar dos cursos de
Complementação Pedagógica na Sede Central da Seicho-No-Ie em São Paulo,
e das reuniões de estudos do Depto. de Educadores de Campinas, do qual
passei a fazer parte da diretoria. Nesta época já era Divulgadora da Seicho-No-
Ie.
Trabalhava incansavelmente, pois continuei prestando serviço na escola
no período da manhã, freqüentava a faculdade à tarde e arrumava tempo para
a família e as atividades da Seicho-No-Ie à noite.
Tudo estava indo bem, até que em 1993 a proprietária da escola tomou
a decisão de vendê-la ou fechá-la, uma vez que não havia lucros financeiros.
Senti que fui testada em minha fé, confesso que pensei em desistir e
abandonar a escola, "afinal de contas era apenas uma voluntária", porém mais
uma vez recorri à sabedoria de Deus.
Lembro-me, que por vários dias busquei a força de Deus, pois me sentia
responsável pela continuidade daquele trabalho. Sabia que várias crianças não
seriam aceitas em outras escolas e que os pais das crianças que haviam
progredido acreditavam que a escola tinha algo diferente que ajudava seus
filhos a se desenvolverem.
Embora não tivesse condições financeiras, depois de muito orar, tomei
coragem e fiz uma proposta de compra da escola com o apoio do meu
maravilhoso marido. Lembro-me que a contadora, ao preparar o contrato de
venda, tentou persuadir-me a desistir do negócio, pois estava comprando a
escola em dólar (como foi determinado pela proprietária) e o valor era
exorbitante.
O apoio de meu marido e das profissionais que trabalhavam comigo na época foi fundamental. Assumi o compromisso e convidei a amiga Maria Lúcia
Ferrari - Psicóloga, para me ajudar, uma vez que tinha que dividir as
responsabilidades administrativas e pedagógicas para poder dar continuidade
ao trabalho. Agradecerei eternamente à todos que me apoiaram naquele
período.
Foram meses difíceis, pois o dólar chegava a subir até duas vezes ao
dia e não conseguia pagar mais em dia as prestações da escola. Foram muitos
os constrangimentos e humilhações, porém uma força maior impulsionava-me
a continuar parece que uma voz dizia: " Não desista, tudo vai ficar bem".
Para surpresa de todos, ocorreu a mudança da moeda Cruzado para o
Real e pude cumprir com o compromisso assumido pagando até as multas e
os juros.
Em 1995 me formei na PUC , e recebi o diploma de Preletora, foi uma
enorme emoção!
Atualmente atendemos 60 crianças, sendo que 40% são de crianças e
jovens com algum tipo de deficiência. Estamos divididos em duas unidades,
uma delas foi cedida por um casal de empresários maravilhosos cujo filho
apresenta deficiência intelectual.
Temos vários "projetos": atendimento de crianças em situação de
vulnerabilidade (vitimizadas), trabalho com adolescentes gestantes,
capacitação profissional para adolescentes e jovens e ainda abriremos um
internato para atender jovens e adultos com deficiência que ficam sem família.
Acreditamos que quando estamos imbuídos do propósito de beneficiar o maior
número de pessoas, tudo pode dar certo infalivelmente!
Divulgo essa Verdade por onde vou, pois este ensinamento norteia
nossas vidas.
Muito obrigada!
Josefa Aparecida Neri Guido
Preletora Júnior
Obs. Aplicamos a Educação da Vida aliada ao Método Montessori
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